Com auditório lotado e mais de mil participantes, evento promovido pelo Sistema Fiems reúne especialistas, gestores públicos, educadores e lideranças da indústria para discutir os caminhos da formação profissional e da educação do futuro
A educação como principal ferramenta para preparar pessoas para as transformações tecnológicas e para o novo mundo do trabalho esteve no centro dos debates do Meeting Internacional de Educação Sesi Senai 2026, realizado pelo Sistema Fiems, nesta quarta-feira (22/07), em Campo Grande.
O papel da educação integrada às necessidades da indústria foi reforçado pelo superintendente regional do Sesi, Régis Borges. Para ele, a conexão com o Senai contribui para formar profissionais mais preparados para atender às exigências do setor produtivo.
“Nós somos a escola da indústria. Quando atuamos de forma integrada, todos ganham: os estudantes, os trabalhadores e as empresas. Essa aproximação entre educação básica, formação técnica e indústria tem gerado resultados concretos e ampliado as oportunidades para os jovens”, afirmou.
A integração entre educação básica e qualificação profissional também foi apontada como diferencial para atender às demandas do setor produtivo. Para o diretor-regional do Senai, Rodolpho Mangialardo, a união entre Sesi e Senai fortalece a formação dos jovens e amplia as oportunidades de inserção no mercado de trabalho.
“O grande segredo do Sistema Fiems é mostrar o quanto a qualificação profissional é importante para a vida das pessoas e para o crescimento da indústria. Hoje não basta apenas desenvolver competências técnicas. Precisamos trabalhar habilidades humanas e preparar os profissionais para uma indústria cada vez mais tecnológica”, ressaltou.
Palestrantes de renome nacional e olhares para experiências internacionais
Entre os destaques da programação esteve a palestra do especialista em inovação e tecnologia Arthur Igreja, que abordou os impactos da inteligência artificial na educação e nas profissões. Segundo ele, a discussão não deve se limitar ao uso das ferramentas tecnológicas, mas à forma como elas podem contribuir para o desenvolvimento das pessoas.
Para o palestrante, a inteligência artificial exige uma revisão dos métodos de ensino, mas não elimina a necessidade do aprendizado.
“Quem mais se beneficia da inteligência artificial é quem sabe fazer as coisas. Antes de utilizar a ferramenta, é preciso compreender os processos, desenvolver repertório e aprender os fundamentos. A educação continua sendo indispensável”, destacou.
A experiência internacional também integrou os debates do encontro. Representando a Education New Zealand, Bruna De Natale apresentou aspectos do sistema educacional da Nova Zelândia, reconhecido mundialmente pelos resultados obtidos na formação dos estudantes. Segundo ela, um dos diferenciais do modelo é o incentivo ao aprendizado prático, ao pensamento crítico e à capacidade de adaptação.
“Os estudantes precisam entender que serão aprendizes por toda a vida. A tecnologia deve ser encarada como aliada, e não como ameaça. O importante é manter a capacidade de aprender, se atualizar e desenvolver novas competências ao longo da carreira”, afirmou.
O especialista em comportamento geracional Dado Schneider provocou reflexões sobre as mudanças na forma como as novas gerações aprendem, se relacionam com a autoridade e enxergam o trabalho. Para ele, a educação e as organizações precisarão se adaptar a uma realidade cada vez mais influenciada pelos comportamentos da geração Z e da geração Alfa.
“O mundo já vinha mudando antes da inteligência artificial. A tecnologia acelerou esse processo, mas o grande desafio é entender as novas gerações e construir formas de aprendizagem e trabalho que façam sentido para elas. Eventos como este são fundamentais para promover esse diálogo”, concluiu.
Reflexões e desafios a serem encarados no cenário de MS
O economista Jaime Verruck destacou o momento vivido por Mato Grosso do Sul e o protagonismo da indústria no crescimento econômico estadual. Segundo ele, o Estado reúne condições favoráveis para consolidar uma agenda de prosperidade baseada em inovação, tecnologia e inclusão social. Para isso, a educação precisa ocupar papel central na preparação dos profissionais para um mercado de trabalho em constante transformação.
“O futuro passa pela educação. O Sistema Fiems cumpre um papel fundamental por meio do Sesi e do Senai, não apenas na oferta de soluções educacionais, mas também na promoção de discussões que ajudam a qualificar as pessoas que fazem a educação em Mato Grosso do Sul”, afirmou.
Outro tema amplamente debatido foi a relação entre educação e ambiente digital. Em sua palestra, o secretário de Estado de Educação, Hélio Daher, abordou os desafios impostos pelo uso das tecnologias no ambiente escolar, especialmente no contexto do Estatuto da Criança e do Adolescente Digital.
Segundo ele, além de orientar sobre o uso responsável das ferramentas digitais, as instituições de ensino precisam atuar na prevenção de problemas como cyberbullying e exposição indevida de estudantes. “O ambiente escolar precisa ser seguro tanto no mundo físico quanto no digital. Esse é um desafio que exige conscientização, acompanhamento e ação conjunta entre escolas, famílias e poder público”, destacou.